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Um AirTag num livro raro levou até o galpão da Amazon onde livros são descapados e escaneados para treinar IA

A pergunta era antiga: para onde vão os lotes de livros esgotados comprados por compradores anônimos? Um repórter escondeu um AirTag num exemplar e seguiu a remessa. A resposta chegou em agosto — e ela não passa por tribunal nenhum.

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O que acontece no galpão

A instalação chama-se VGT3 e se identifica por um símbolo de dinossauro segurando um livro entre as garras. Segundo funcionários ouvidos pela reportagem, o trabalho ali consiste em receber grandes remessas de livros impressos, cortar a lombada para acelerar a digitalização e escanear o miolo. O exemplar não sobrevive ao processo. Relatam também a leitura de código de barras e de ISBN.

Por que justamente o livro esgotado

O alvo tem lógica comercial. O que a operação procura são livros raros, esgotados ou impossíveis de encontrar na internet — exatamente o texto de qualidade que não existe em formato digital, agora que os modelos já consumiram o que estava disponível publicamente. O seu livro fora de catálogo, que era um ativo dormente, virou o mais cobiçado.

Comprar não é piratear

Aqui está o desconforto. A Anthropic fechou um acordo de um bilhão e meio de dólares por direitos autorais — e aquele caso era sobre cópias piratas. Neste, os exemplares foram comprados. A Amazon não comentou os achados da reportagem e enviou nota afirmando que compra livros por canais comerciais para ajudar a desenvolver e melhorar os produtos e serviços que seus clientes usam. Nas fontes apuradas, não há processo judicial sobre esta prática específica.

O recado: Não existe hoje botão de recusa para um exemplar impresso comprado no mercado de usados — e fingir que existe não ajuda ninguém. O que segue nas suas mãos é outra coisa: o arquivo, o contrato de distribuição e a decisão de manter, ou não, a obra disponível em digital. Um livro esgotado é um livro cujo destino você deixou de decidir. Fonte: TechCrunch e 404 Media, agosto de 2026. ---