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Pagar para publicar com outro nome: o alerta do Writer Beware e o que conferir

Em 16/10/2026, o Writer Beware publicou queixas de autores sobre uma editora que mudou o nome do pedido de dinheiro. Veja o que o alerta diz e o que conferir antes de assinar.

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O Writer Beware publicou, em 16/10, queixas de autores contra uma editora infantil

Com arquivos do site da Starfish Bay Publishing, editora infantil australiana, e contratos que viu, Victoria Strauss mostra como o pedido de dinheiro mudou de nome entre 2022 e 2025.

Conferência 1: o nome muda, o pedido fica

Segundo o Writer Beware (termos entre aspas, tradução nossa): Em 2022, uma "contribuição" com a compra de 200 exemplares em capa dura. Depois, um "empréstimo temporário" de AU$ 6.000, num programa chamado "tradicional". Também, um "adiantamento reembolsável" de quatro dígitos. O rótulo muda; o pedido de dinheiro fica. Nas palavras de Victoria Strauss: "Pay to play is pay to play." Tradução nossa: pagar para publicar é pagar para publicar.

Conferência 2: o que autores relatam?

Segundo o Writer Beware, autores levaram estas queixas: Livros que nunca foram publicados. Ilustradores que não estavam contratados, alguns sem receber. Royalties e extratos que não chegam. Empréstimos não devolvidos no prazo. Perguntas sem resposta. São relatos reunidos pela fonte: o post não cita decisão judicial nem resposta da empresa às queixas.

Conferência 3: o que conferir antes de assinar?

Com base no post, confira antes de assinar: Se há quantia alta adiantada como condição de publicar: é sinal de alerta, seja qual for o nome. O histórico do site em arquivos da web. O registro da empresa. Conversa com ilustradores e outros autores. As cláusulas de direitos: subsidiários, edição sem o autor e cessão pela vida da obra sem reversão.

Para aprofundar

O fato: em 16/10/2026 (atualizado em 17/10), o Writer Beware, blog de alertas a escritores patrocinado pela SFWA (associação de autores de ficção científica e fantasia), publicou "Author Complaints at Starfish Bay Publishing", assinado por Victoria Strauss. O texto reúne queixas de autores contra a Starfish Bay Publishing e o selo Tiny Seed, editora infantil australiana. São queixas: a própria Strauss diz que apenas conferiu e acrescentou links ao que os autores levantaram. Post: https://writerbeware.blog/2026/10/16/author-complaints-at-starfish-bay-publishing/

O pedido de dinheiro mudou de nome: segundo o post, até o fim de 2021 os sites arquivados da empresa não mencionam taxas. Em março de 2022 aparece um "modelo híbrido" em que o autor faz uma contribuição comprando 200 exemplares em capa dura com 20% de desconto (tradução nossa; original: "make a contribution [of several thousand AU$] by purchasing 200 hardback copies of their title at a 20 per cent discount", com colchetes da Strauss). Antes de fevereiro de 2023 surge o "Author Supported Traditional Publishing Programme", que pedia ao autor um "empréstimo temporário" de AU$ 6.000 (original: "temporary loan"), a ser devolvido em dois anos e meio, num programa que o site chamava de "tradicional". O site dizia que o programa fecharia no fim de 2024; segundo a Strauss, um arquivo de março de 2025 ainda o mostra.

O terceiro rótulo: pela documentação que a Strauss recebeu, um "programa de autor assinado" exigia, pelo menos até meados de 2025, um "adiantamento reembolsável" de quatro dígitos (original: "refundable advance payment"), que, segundo ela, não aparece no site. Em novembro de 2025, os programas pagos parecem ter sido descontinuados e todos os selos passam a se descrever como "tradicionais".

A frase que resume o alerta: a Strauss escreve que incluir palavras como "tradicional", "empréstimo" e "temporário" no pedido de dinheiro não muda o fato de que uma grande soma é devida adiantada como condição de publicação. Em suas palavras: "Pay to play is pay to play." (tradução nossa: pagar para publicar é pagar para publicar.)

O que os contratos trazem, segundo a Strauss: ela viu contratos de 2023 a 2025. Aponta uma cláusula exclusiva e abrangente de direitos subsidiários, uma cláusula de edição que permite à editora editar sem participação do autor e uma cessão de direitos pela vida do copyright sem previsão adequada de reversão. O pagamento do autor aparece como compra obrigatória de várias centenas de livros, com pagamento de quatro dígitos "não reembolsável" (original: "non-refundable") em poucas semanas, ou como o empréstimo. Vários contratos trazem ainda uma cláusula de "royalty garantido", em que a editora promete cobrir a diferença se os royalties ficarem abaixo de um valor de referência em certo prazo.

O que autores relatam: segundo a Strauss, as queixas documentadas incluem ilustradores que não estavam contratados, apesar da exigência no contrato e da afirmação contrária (alguns sem receber pelo trabalho feito), livros nunca publicados, royalties e extratos ausentes, empréstimos não devolvidos no prazo do contrato, royalties garantidos não pagos e dificuldade extrema de comunicação. Um grupo privado de autores e ilustradores afetados tem 190 membros, na data em que ela escreveu. Ela diz que alguns autores entraram na Justiça e que alguns contrataram cobrança.

O que é relato e o que a fonte não traz: as informações vêm de autores e de documentos que chegaram à Strauss, conferidos por ela em parte. O post não cita decisão judicial nem resposta da empresa às queixas; relata apenas atualizações genéricas do dirigente da empresa ao longo de 2026 (com explicações sobre demora nas respostas), sem tratar das queixas. A peça não afirma que houve crime e não generaliza: a fonte não diz que todo modelo "híbrido" ou de "parceria" seja assim, e não trata de editoras brasileiras.

Estado atual segundo a fonte: a Strauss diz que a editora e seus selos continuam aceitando originais e cita uma nota na página de submissões sobre vagas reservadas em 2026 para autores convidados e autores assinados, que ela diz não entender. Segundo ela, em 2025 e 2026 a empresa passou a usar ao menos oito novos nomes comerciais, e ao menos três deles cobram taxas, com valores de AU$ 1.818 a AU$ 9.800 (em dólares australianos, sem conversão), sem livros publicados que ela tenha encontrado.

Como conferir antes de assinar: a partir do que o post mostra, três atitudes: tratar quantia alta adiantada como condição de publicar como sinal de alerta, seja qual for o nome; olhar o histórico do site em arquivos da web, o registro da empresa e falar com ilustradores e outros autores; e ler as cláusulas de direitos (subsidiários, edição sem o autor, cessão pela vida da obra sem reversão).

O recado: Edição humana e curada é o que está por trás do catálogo da Editora Rordaz, em títulos autorais e em edições revisadas e traduzidas de obras em domínio público: rordaz.com. Fonte: Writer Beware (Victoria Strauss), 16/10/2026.