Editora Rordaz
← Todas as edições

Painel do Varejo: livros +18,5% em faturamento e ficção puxando — o que muda para quem publica

O último Painel do Varejo do semestre, feito pela Nielsen e divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros, mostra faturamento dezoito vírgula cinco por cento maior e mais de cinco milhões de exemplares vendidos no período. Antes de decidir seu próximo título, vale olhar onde está esse crescimento.

Assistir no YouTubeEsta edição em vídeo, com narração

Mais exemplares, mais faturamento, e preço médio subindo junto

No sexto período de dois mil e vinte e seis medido pelo Painel, o volume cresceu dez vírgula quatro por cento, passando de quatro milhões e meio para mais de cinco milhões de exemplares. O faturamento subiu dezoito vírgula cinco por cento e chegou a duzentos e sessenta e quatro milhões e quatrocentos mil reais. E o preço médio avançou sete vírgula três por cento. Os três juntos contam a mesma história: não é só o público comprando mais livros, é o livro valendo mais no caixa.

Ficção ganhou cinco vírgula cinco pontos de participação

A ficção foi o motor do período, com ganho de cinco vírgula cinco pontos percentuais de participação em relação a dois mil e vinte e cinco. Dentro dela, dois recortes se destacam: quadrinhos e graphic novels, com cinquenta e dois por cento de crescimento em faturamento, puxados por títulos como Jujutsu Kaisen; e terror, com sessenta e oito por cento, impulsionado por autores como Uketsu e Stephen King. Nas palavras de Luiz Gaspar, diretor regional da Nielsen, a ficção, tanto no segmento adulto quanto no infantil, está se consolidando como o principal motor de crescimento do mercado em dois mil e vinte e seis.

Desconto médio de vinte e três vírgula noventa e três por cento, e o topo da lista perdendo força

Dois números da mesma pesquisa raramente aparecem no debate e mexem direto com o bolso de quem publica. O primeiro: o desconto médio praticado subiu para vinte e três vírgula noventa e três por cento — isso é quase um quarto do preço de capa saindo antes de qualquer royalty ser calculado, e precisa estar na conta antes de fixar o preço. O segundo: os quinhentos títulos mais vendidos perderam relevância em comparação com dois mil e vinte e cinco, enquanto o número de ISBNs recuou um vírgula cinco por cento. Uma leitura possível, e é leitura, não conclusão da pesquisa: a venda está mais espalhada fora do topo.

O recado: Ele não é ordem para escrever terror. Ele autoriza três decisões mais frias: considerar o gênero na hora de posicionar o próximo livro, calcular o preço já contando com o desconto do varejo, e parar de medir o próprio resultado contra a lista dos mais vendidos. E o limite honesto: o Painel mede o varejo e não separa autopublicação de mercado tradicional, então nada aqui diz quanto o autor independente vendeu. Serve como mapa do terreno, não como retrato do seu caso. Salve este post e compartilhe com quem está decidindo o que publicar.