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44,65% do que o livro brasileiro negocia no exterior é DIREITO, não papel — e por que isso importa para quem publica

No primeiro semestre de 2026, as editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers movimentaram oito milhões de dólares em feiras internacionais. Quarenta e quatro vírgula sessenta e cinco por cento desse valor veio da venda de direitos, e não da venda de exemplares. Destacamos uma reportagem que você vai gostar de ler.

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Não é a exportação do Brasil. É o que estas editoras negociaram

Vale começar pelo que o dado não é, porque a manchete e o corpo da reportagem não dizem a mesma coisa. O número não mede a exportação brasileira de livros: ele mede o que as editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers, projeto da Câmara Brasileira do Livro com a ApexBrasil e o Ministério das Relações Exteriores, movimentaram nas feiras internacionais do semestre. É um recorte de um programa de promoção comercial, e não uma estatística do país. Com o recorte no lugar, o número passa a dizer algo preciso.

Quarenta e quatro vírgula sessenta e cinco por cento em direitos. Cinquenta e cinco vírgula trinta e cinco por cento em livro físico

Vender direito é licenciar a uma editora estrangeira o direito de publicar aquela obra na língua e no território dela. O papel não sai do Brasil; sai a autorização. Quase metade do valor negociado no semestre veio dessa linha, e não da venda de exemplar. Para quem publica, isso separa duas receitas que costumam ser confundidas numa só: a de vender livro e a de licenciar obra. A segunda não depende de tiragem, nem de frete, nem de estoque.

Bolonha, sozinha, respondeu por cinco vírgula seis milhões

A Feira de Bolonha, dedicada ao infantil e juvenil, movimentou cinco milhões e seiscentos mil dólares, dos quais dois milhões trezentos e quarenta mil em direitos. Londres veio depois com dois milhões duzentos e noventa mil, sendo um milhão duzentos e vinte mil em direitos. Buenos Aires fez duzentos e dez mil dólares, Bogotá duzentos mil e Istambul cento e setenta mil. Nas praças menores é onde a variação chama atenção: Istambul cresceu quatrocentos e setenta e dois por cento sobre 2024, e Londres duzentos e vinte e um por cento sobre 2025.

O recado: Uma obra publicada não termina na primeira edição: ela pode ser licenciada outra vez, em outra língua, em outro território, anos depois. É essa a linha de receita que responde por quase metade do valor deste semestre. Um lembrete honesto, porém: vender direito em feira passa por editora com estande e por agente, e este dado não diz que o caminho está igualmente aberto para quem publica sozinho. Ele diz que a licença é um mercado real, e que vale saber que ela existe antes de assinar contrato cedendo tudo. Conheça o catálogo da Editora Rordaz em rordaz.com.