Varejo de livros +12,7% e bibliodiversidade −4,4%: a maré subiu concentrando
O varejo de livros fechou o sétimo mês seguido no positivo, e o mesmo painel que traz essa alta registra queda na bibliodiversidade. As duas linhas juntas dizem mais do que qualquer uma sozinha.
Assistir no YouTubeEsta edição em vídeo, com narraçãoUm bilhão e oitocentos e noventa milhões no acumulado do ano
O levantamento é da Nielsen BookData em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros. No acumulado do ano, o faturamento chega a um bilhão e oitocentos e noventa milhões de reais, alta de doze vírgula sete por cento, com trinta e cinco vírgula seis milhões de exemplares vendidos, dez vírgula dois por cento a mais. No recorte do período sete, que compara meados de junho a meados de julho com o mesmo intervalo do ano passado, foram duzentos e quarenta e cinco vírgula um milhões de reais, nove vírgula três por cento acima, e quatro vírgula oito milhões de exemplares, dois vírgula três por cento acima.
Parte da alta é preço, não exemplar
Repare na distância entre as duas taxas do acumulado. O faturamento cresce doze vírgula sete por cento e o volume, dez vírgula dois. A diferença tem explicação no próprio painel: o preço médio dos livros subiu dois vírgula três por cento. Ou seja, uma parte do crescimento veio de o livro custar mais caro, e não de mais livros saindo da prateleira. Isso não anula a alta, que é real e vem se repetindo há sete meses. Só evita a leitura de que o brasileiro passou a comprar doze por cento mais livros, porque não foi isso que aconteceu.
Bibliodiversidade em queda de quatro vírgula quatro por cento
Este é o dado que interessa a quem publica sozinho. Enquanto o dinheiro cresce, o indicador de variedade de títulos que efetivamente vendem recua quatro vírgula quatro por cento. E a concentração tem endereço: a ficção adulta se consolidou como a maior fatia entre os subsegmentos apurados, com trinta e dois vírgula seis por cento, quase seis pontos percentuais acima. A categoria ficção ganhou cinco vírgula sete pontos de participação no faturamento. Traduzindo para a sua mesa: a maré subiu, e subiu concentrando. O segmento que mais cresce é também onde a briga por atenção está mais dura.
O recado: É bom que o setor cresça, e é honesto dizer que crescer concentrando muda pouco a vida de quem lança um título por ano. O que um painel como esse serve é para escolher com informação: saber em qual categoria você está entrando, quanto dela é disputa, e que a variedade que vende está encolhendo enquanto a oferta não. Vale lembrar o que este recorte é: varejo apurado por Nielsen e SNEL, não o mercado editorial inteiro, e sem captar toda venda direta de autor. Na Editora Rordaz, cada título passa por edição humana e curadoria, dos originais às edições revistas e traduzidas de obras em domínio público. Conheça o catálogo completo em rordaz.com
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